Altemar Dutra - O Trovador do Brasil

Alguns cantores têm o poder de dar vida às letras, conseguem fazer arranjos vocais que valorizam as composições, tocando de forma simples e sincera os corações, esse era o caso de Altemar Dutra de Oliveira. O artista nasceu em Aimorés – MG, em 6 de outubro de 1940. Foi um cantor brasileiro de sucesso em toda a América Latina. Quando ainda era um adolescente ganhou um violão da mãe e passou a se dedicar ao estudo do instrumento e a cantar. Apresentou-se pela primeira em um programa de calouros da Rádio Difusora de Colatina, interpretando canções do grande nome da música Francisco Alves. Agradou tanto que ficou várias vezes em primeiro lugar na Difusora. Aos 17 anos, muda-se para o Rio de Janeiro com uma carta de apresentação do diretor da rádio mineira para o compositor Jair Amorim (autor de inúmeros sucessos na música brasileira, a exemplo de Conceição, gravada por Cauby Peixoto). Amorim recebe Altemar e o leva para ser crooner na boate Baccarat, onde fazia apresentações com Leny Andrade.  Gava pela primeira vez, pelo selo Tiger, um compacto de 78 rpm com a canção “Saudade que Vem”, de Oldemar Magalhães e Célio Ferreira, e “Somente uma Vez”, de Luis Mergulhão e Roberto Moreira.

O Primeiro LP

Uma data importante para Dutra: 1963. Foi nesse ano que ele foi levado por Joãozinho, do Trio Irakitan, para a gravadora Odeon, onde lançou seu primeiro LP, com o título A Grande Revelação. E foi de fato. A revelação foi o próprio artista que encantou ao público e aos discófilos que amaram o seu trabalho. Fez sucesso com “Creio em Ti”, “Tudo de Mim”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, entre outras faixas do disco. Em 1965 se tornou conhecido em todo Brasil, após a gravação do LP Sentimental Demais. Além da canção Sentimental Demais, que marcou sua carreira, ainda arrebatou a crítica popular com “O Trovador”, “Brigas” e “Que Queres Tu de Mim”, boa parte das canções de autoria da dupla Evaldo Golveia e Jair Amorim. Foi progressivamente se destacando no gênero musical bolero.

Jair Amorim e Evaldo Golveia
Altemar em família (Imagem da Internet)

No campo sentimental e familiar, Altemar conheceu em 1965, a cantora Martha Mendonça, com quem foi casado, tendo nesta união dois filhos, Deusa Dutra e Altemar Dutra Júnior, este também seguiu carreira artística. Para tristeza dos seus fãs, Martha abandonou a carreira.  Martha apareceu nos anos 1960 com a canção “Tu Sabes”, que vendeu muito e ganhou os principais prêmios da época. Ela ganhou simpatia na televisão e viajou o Brasil inteiro. Gravou vários discos, alcançando um total de 110 músicas entre LPS, compactos e edições especiais. Foi a primeira cantora brasileira a gravar uma música japonesa: Kimi Koishi (Saudade de Você), em 1964, um ano antes de se casar com Dutra.  Mendonça participou do volume cinco da coletânea “Eles e o sucesso”, da gravadora Chantecler, cantando “Eu amo tu amas” (Carlos Cruz e Almeida Rego). No mesmo ano, gravou o LP Kimi Koishi interpretando Saudade de você (Kimi Koishi), de H. Sakao, uma versão de Teixeira Filho para uma música japonesa de sucesso à época.

Altemar Dutra e seu violão

No LP Altemar Dutra 20 Anos de Romantismo, encontramos, entre tantos sucessos, “Nossos Momentos“, de autoria de Haroldo Barbosa e Luiz Reis, e a sensação que se tem, pelo dom que tinha e extensão vocal privilegiada, é que as canções eram modeladas em sua voz de tenor. Altemar Dutra foi um dos intérpretes mais conhecidos pelo grande público dos anos 1960 e 1970, atuando como representante da música romântica brasileira. Cantor de vendagens expressivas, com várias canções nas paradas de sucesso e uma carreira consolidada no Brasil e no exterior, principalmente na comunidade latina dos Estados Unidos.

O astro se destacou também em vários países latinos, fazendo belas apresentações, e gravou, inclusive, um disco pela Odeon, com Lucho Gatica, “El bolero se canta así” (1967). Com suas versões em espanhol, chegou a vender mais de 500 mil cópias. Em 1964 apresentou ao público as obras “Que Queres Tu de Mim”, “O Trovador”, “Sentimental Demais” e “Somos Iguais” (todas de Evaldo Gouveia e Jair Amorim). Essas canções tiveram grande êxito no rádio e colaboraram para a boa vendagem de discos. Depois de ter dominado as paradas de sucesso locais, a partir de 1969 passou a conquistar fãs de origem latina nos EUA. Em pouco tempo, tornou-se um dos mais populares cantores estrangeiros na terra do Tio Sam. Altemar faleceu em 9 de novembro, de 1983, em Nova York, aos 43 anos, vítima de um acidente vascular cerebral, após sentir-se mal em show realizado na boate La Tanquera. Mesmo após sua morte, suas interpretações continuam sendo lançadas em coletâneas. Como diz sua canção, ele foi, de fato, um trovador, cantou o amor e escreveu seu nome na história do disco.

 

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