Sobe para 104 o número de mortos em Petrópolis (RJ) por causa do temporal que assolou a cidade.

O número de mortos em Petrópolis após a tempestade de terça (15) chegou a 104, até as 23h50 desta quarta-feira (16) – ao menos 8 vítimas são crianças. Segundo a Secretaria Estadual de Defesa Civil, 24 pessoas foram resgatadas com vida.O município segue em estágio de crise e a prefeitura pede que população evite sair de casa. Durante a madrugada, agentes da Defesa Civil percorreram alguns pontos da cidade que foram afetados pelas fortes chuvas. Em seis horas choveu 260 milímetros. O acumulado foi maior do que todo o esperado para o mês de fevereiro. Até o momento, na localidade conhecida como Morro da Oficina, no Alto da Serra, é estimado que 40 casas estejam soterradasOs resgates estão concentrados na região. Também há registros de estragos em outras regiões como 24 de Maio, Caxambu, Sargento Boening, Moinho Preto, Vila Felipe, Vila Militar e as ruas Uruguai, Washington Luiz e Coronel Veiga.

As ruas de Petrópolis tomadas de lama

Prefeito de Petrópolis decreta luto

O prefeito do município, Rubens Bomtempo, decretou luto de três dias pelas vidas perdidas na tragédia. “Estamos trabalhando para dar uma resposta rápida e efetiva para a nossa população”, disse ele nas redes sociais.  O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, André Ceciliano, se deslocaram para o município para acompanhar os trabalhos de resgate. O presidente Jair Bolsonaro (PL), está na Rússia para ter reuniões com o presidente do país, Vladimir Putin, e também falou sobre as chuvas na cidade de Petrópolis. “Retorno na próxima sexta-feira e, mesmo distante, continuamos empenhados em ajudar ao próximo. Deus conforte aos familiares das vítimas”, disse ele.

Tristeza: mais um corpo encontrado

Temporal mais intenso que o de 2011

O temporal que caiu nesta terça-feira (15) em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, deixando muitos mortos, foi muito mais intenso do que o ocorrido em janeiro de 2011. Naquela ocasião, chuvas torrenciais causaram enchentes e deslizamentos de terra na região, afetando principalmente as cidades de Nova Friburgo e Teresópolis e causando a morte de 918 pessoas. Petrópolis registrou ontem ao menos 229 ocorrências relacionadas a chuvas. Foram 189 deslizamentos de terras, e a prefeitura decretou situação de crise.

De acordo com o professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em drenagem urbana Matheus Martins, a topografia da cidade é propícia a inundações e deslizamentos, já que fica em uma região de encostas e é cortada por rios, sendo o principal o Rio Piabanhas, afluente do Paraíba do Sul. Em 2011, além dos 918 mortos, 30 mil pessoas ficaram desalojadas naquela que é considerada uma das maiores tragédias socioambientais do país. Em 2013, Petrópolis sofreu com chuvas intensas em março, que provocaram mais de 100 deslizamentos de terra e deixaram 30 pessoas mortas. (Fonte: Agência Brasil)

Moradores observam consternados os estragos (Imagem: Reuters)

Situação que preocupa no alto da serra

Nesta última década, o Governo do Estado afirmou ter investido mais de R$1 bilhão em infraestrutra e recuperação. Pelo menos dez obras foram anunciadas, no ano passado, para contenção de encostas e a construção de um reservatório para as águas da chuva. Mesmo assim, a situação de Petrópolis é preocupante.

“A chuva que caiu ontem é equivalente ao que aconteceu em 2011, na Região Serrana. Teresópolis, que (na época) registrou a maior chuva, teve 281 mm em oito horas, enquanto em Petrópolis, em quatro horas, foram 221 mm. Ou seja, na metade do tempo, já tinha chovido mais do que 2/3. A chuva foi mais intensa”, conta o especialista em Drenagem Urbana e professor da Escola Politécnica da UFRJ, Matheus Martins.

Martins explica ainda que uma das principais diferenças entre os dois eventos é a concentração dos pontos de chuva. Enquanto há 11 anos toda a Região Serrana foi atingida, desta vez o temporal atingiu apenas a região do Centro de Petrópolis. “Talvez a restrição geográfica diminua o tamanho total desta tragédia porque ela foi mais concentrada em um local só”, completa.

Carros que foram empilhados pela força das águas

Pelo menos 54 casas foram destruídas pelas chuvas que atingiram a região e mais de 370 pessoas foram acolhidas em abrigos improvisados.

Cerca de 400 bombeiros trabalham nas buscas aos desaparecidos. A Polícia Civil do RJ também montou uma força-tarefa na cidade. São cerca de 200 policiais, peritos legistas e criminais, papiloscopistas, técnicos e auxiliares de necropsia, servidores de cartório e de diversas delegacias da Região Serrana.

A Defesa Civil informou que ainda há previsão de chuva fraca a moderada a qualquer momento no município. As autoridades reforçam que a cidade segue em Estágio Operacional de Crise e orienta que a população fique atenta aos informes e alertas que podem ser atualizados a qualquer momento. Em caso de emergência as pessoas devem ligar para o 199.

Fontes: G1; CNN; Band RJ; Agência Brasil.

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