Eu Ouço Gente Que Partiu

As vozes eternizadas no vinil

Olá, amigos, preciso confessar algo: ouço gente que já partiu, o tempo todo! Tudo bem, é uma paródia em cima do filme “O Sexto Sentido“, com o ator Haley Joel Osment, mas não deixa de ser uma verdade. Tento, tento, até ouço alguns vivos, mas tem hora que fica insuportável a mesmice, falta de criatividade, de talento, de noção, de inteligência, de capacidade… enfim, acabo recorrendo aos que partiram através da grande herança cultural que deixaram nos discos.

Hoje mesmo, há pouco, acabei de ouvir o Elvis na vitrola. Você nem liga que às vezes, dependendo da idade e consevação do vinil, o som venha acompanhado de um “chiadinho”.  Lembro-me que ontem, também coloquei o “bolachão” para girar no toca-discos com alguém que já partiu. Isso é contagioso? Só acontece comigo? Acredito que não. E não é por acaso que os grandes astros do disco, que marcaram os anos de 1950 a 1970 são tão procurados nas lojas especializadas de vinis (físicas e virtuais). Nomes como Tim Maia, Jair Rodrigues, James Brown, Altemar Dutra, Ray Charles, Nelson Gonçalves e tantos outros, estão sempre no topo da lista dos discófilos. 

Elvis Presley – o Rei do Rock

A semana nem acabou, e já ouvi Elis Regina, Maysa, Dolores Duran, Cartola, Frank Sinatra, Nat King Cole, Raul Seixas, Dalva de Oliveira, Whitney Houston, Tom Jobim e outras lendas. Não se trata apenas de saudosismo. Ainda que, existam ótimos compositores em exercício, bons cantores na atualidade, o período em que o vinil dominava foi mágico. 

Jamais tivemos momentos tão proeminentes como os que ocorreram nos anos dourados do rádio, com seus concursos de rainhas, época de Marlene, Emilinha, Francisco Alves, e ainda, o auge da Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicália e os primeiros anos da esfuziante MPB. Vale dizer que, o que faltava em tecnologia sobrava em talento. Alguns discos, gravados com dois ou quatro canais, não podem se comparar com algumas “bombas” que são lançadas, atualmente, com mais de trinta canais. 

Tim Maia – o Síndico da MPB, 

Foi no século XIX, mais precisamente em 1877 que o inventor da lâmpada e do telégrafo, Thomas Edson, conseguiu a primeira gravação da voz humana, quando a frase “Mary tinha um carneirinho” foi gravada em um fonógrafo de cilindros. Este arcaico aparelho era rodado à mão e captava o som através de um cone, que fazia vibrar um diafragma. Este era ligado por um estilete ao cilindro, que gravava fisicamente as vibrações sonoras fazendo pequenos sulcos no alumínio. A coisa foi evoluindo, até que chegamos aos 78 RPM, depois aos consagrados vinis de 33 RPM – os famosos compactos e LPs -. Depois surgiu a fita cassete, e foi uma brasa! Mora? 

A indústria fonográfica cresceu e as gravadoras compraram o que havia de melhor, ou o que a grana permitia importar nos anos 1960. Registrou-se em discos momentos históricos da canção – muitas vezes em apenas quatro canais, que os engenheiros de som faziam mágica para mixar -, e não era tão simples assim chegar ao estúdio, soltar a voz ao microfone e gravar a letra escrita por um bom compositor. O artista tinha que ter talento e trilhar um longo caminho, provar que a gravadora poderia apostar nele. Hoje, basta ter uma grana e gravar.

Frank Sinatra no estúdio


Nesse dia, nossa homenagem aos grandes nomes da música, homens e mulheres que revolucionaram o mercado fonográfico e que arrebataram corações de bom gosto em todas as partes do planeta. Eles não estão presentes fisicamente, mas continuam vivíssimos em tantos corações. Nestes tempos de tantas aberrações, fico “peneirando” o que vai para minha discoteca, o que não agredirá aos meus ouvidos, e claro, para isso, entro muitas vezes na máquina do tempo para recorrer aos grandes sucessos da música. Claro, ainda existem bons nomes no cenário artístico, mas, eles são cada vez mais raros, pois o barulho sem melodia, harmonia, muito menos poesia, tem infestado os canais midiáticos. 

Provavelmente, por todos esses motivos, que eu sinta tanta saudade do Tom, Vinicius, Duran, Altemar, Elis… Poderíamos lembrar de dezenas de cantores e músicos sensacionais nesse bate-papo que um dia estiveram por aqui nos encantando, no entanto, deixo um pouco para sua lembrança. Partiram sim, mas as suas músicas continuam vivíssimas em obras memoráveis – o que nos leva a dizer que Elvis não morreu -. Agora, com sua licença, vou colocar mais uma que deixou saudade na vitrola.

 

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