
Elvis Aaron Presley nasceu em 8 de janeiro de 1935, em Tupelo, Mississippi, filho de Vernon e Gladys Presley. De origem humilde, cresceu ouvindo gospel nas igrejas batistas, blues nas ruas de Beale Street e country nas rádios locais. Essa mistura sonora formaria a base do que, anos depois, seria o seu estilo inconfundível.
Em 1953, Elvis entrou no pequeno estúdio Sun Records, em Memphis, para gravar um disco de presente para sua mãe. O dono do estúdio, Sam Phillips, percebeu algo diferente naquele jovem tímido de voz rouca e aparência marcante. Logo, chamou músicos locais — Scotty Moore e Bill Black — e, juntos, gravaram “That’s All Right”.
A canção foi ao ar em uma rádio local e causou alvoroço. O público queria saber quem era aquele rapaz branco que cantava como um negro. Estava nascendo o primeiro astro genuinamente híbrido da música americana: um símbolo da mistura entre as raízes negras do blues e o ímpeto juvenil do rock’n’roll.
Em 1956, Elvis estreou na televisão norte-americana no programa “The Milton Berle Show”, transmitido ao vivo para milhões de espectadores. Quando começou a cantar “Hound Dog”, algo inédito aconteceu: Elvis deixou o microfone fixo e começou a rebolar os quadris, acompanhando o ritmo frenético da música.
O público jovem foi à loucura — mas os críticos conservadores reagiram com indignação. O jornal The New York Times descreveu a performance como “uma exibição vulgar”. Igrejas cristãs o acusaram de “corromper a moral da juventude americana”, e várias cidades chegaram a proibir suas apresentações públicas.
Enquanto a mídia tradicional via o gesto como um atentado à decência, jornais jovens exaltavam o novo fenômeno. “Elvis Presley é o futuro do entretenimento”, escreveu a revista Rolling Stone em um de seus primeiros editoriais sobre o cantor.
Mesmo sob ataques, Elvis não recuou. Em suas apresentações seguintes, passou a usar o microfone como parte do corpo, girando-o, balançando-o, transformando o ato de cantar em uma experiência visual. Nascia ali a primeira performance pop da história moderna.

A polêmica atingiu o auge quando Elvis foi convidado para o “The Ed Sullivan Show”, o programa de maior audiência dos Estados Unidos. Por medo das reações negativas, a emissora CBS determinou que ele fosse filmado apenas da cintura para cima.
O resultado foi curioso: o público já sabia o que estava acontecendo fora do enquadramento e a censura apenas aumentou o mistério e o fascínio. O termo “Elvis, the Pelvis” (Elvis, o Quadril) começou a circular na imprensa, e o apelido virou parte inseparável de sua imagem.
Apesar das críticas, a audiência do programa bateu recordes históricos. Estima-se que mais de 60 milhões de telespectadores assistiram à apresentação — um número que representava mais de 80% dos televisores ligados nos EUA naquela noite. Veja abaixo, antes de continuar a leitura, uma apresentação de Elvis em 1956, no Ed Sullivan Show.

O sucesso de Elvis não se limitou à música. Ele inspirou moda, comportamento e linguagem corporal. Jovens começaram a imitar seus penteados, suas jaquetas de couro e até sua forma de falar. O movimento do rock’n’roll ganhava, enfim, um rosto.
Mais do que isso, a dança de Elvis representava uma revolta silenciosa contra os valores da geração anterior. Em plena era Eisenhower, marcada pela rigidez e pelo moralismo, o cantor simbolizava liberdade e sensualidade — dois elementos que a sociedade tentava esconder.
Segundo o historiador Peter Guralnick, autor da biografia Last Train to Memphis, “Elvis uniu mundos que a América insistia em manter separados: o branco e o negro, o sagrado e o profano, o rural e o urbano”.
Com sua popularidade, o rock’n’roll se espalhou rapidamente pelo mundo. No Brasil, artistas como Celly Campello, Sérgio Murilo e, mais tarde, Roberto Carlos, beberiam diretamente da fonte do estilo criado por Elvis.

Entre 1956 e 1969, Elvis estrelou 31 filmes, muitos deles com grande bilheteria. Obras como “Love Me Tender” (1956), “Jailhouse Rock” (1957) e “Blue Hawaii” (1961) consolidaram sua imagem de astro multifacetado.
Nos filmes, o movimento de dança continuava presente — embora controlado pelos diretores e roteiristas. Mesmo assim, bastava um pequeno balanço de quadris para provocar histeria nas plateias femininas.
Você sabia? Em “Jailhouse Rock”, a coreografia criada por Elvis durante a gravação tornou-se tão icônica que passou a ser considerada uma das primeiras sequências de videoclipe da história.
Após ser convocado para o serviço militar em 1958, Elvis se afastou dos palcos por quase dois anos. Quando voltou, o cenário havia mudado — e ele também. Passou a gravar canções mais maduras e espirituais, como “Crying in the Chapel” e “How Great Thou Art”.
A crítica começou a rever sua imagem: aquele jovem “pervertido” agora era um homem religioso, patriota e disciplinado. Mesmo assim, o público jamais esqueceu o impacto de suas danças originais.
Em 1968, no lendário “Comeback Special”, transmitido pela NBC, Elvis retomou sua essência com uma performance vibrante de “If I Can Dream”. Vestido de couro preto e com energia de sobra, mostrou que ainda era o Rei.

A dança de Elvis Presley não foi apenas uma expressão corporal. Ela foi um manifesto de liberdade, um grito silencioso da juventude dos anos 1950 que ansiava por romper com as amarras da sociedade.
O que antes era visto como escândalo tornou-se arte, e o que era chamado de vulgar virou história da cultura pop. O “rei do rock” não apenas cantou — ele ensinou o mundo a sentir o ritmo.
Elvis morreu em 16 de agosto de 1977, mas seus movimentos continuam ecoando em cada palco, videoclipe e show que valoriza a expressão corporal como parte da música.
Hoje, o que um dia foi censurado é reconhecido como uma das maiores revoluções da história do entretenimento.






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