Seu canto era um verdadeiro “tiro ao álvaro”, certeiro! Elis Regina Carvalho Costa nasceu em 17 de março de 1945, no Rio Grande do Sul. Tendo deixado Porto Alegre, chegou ao Rio de Janeiro em primeiro de abril de 1964 – logo após ao início do Regime Militar – repleta de sonhos. Nesse ano iniciou suas apresentações no eixo Rio – São Paulo. Assinou contrato com a TV Rio para cantar no programa “Noite de Gala”, sob a direção de Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli.

Elis Regina

Elis também soltava sua voz no “Beco das Garrafas” (RJ), reduto da Bossa Nova. Pouco tempo depois, muda-se para Sampa, comanda ao lado de Jair Rodrigues “O Fino da Bossa”, que foi ao ar de 1965 a 1968 pela TV Record. No dia 17 de julho de 1967, em meio ao regime militar, o centro de São Paulo recebeu uma multidão de pessoas que marchava contra a guitarra elétrica! A passeata contou com outros nomes famosos como Geraldo Vandré, Zé Keti, Gilberto Gil e claro, Elis. O manifesto tomou conta das ruas. Gil disse que não tinha nada contra as guitarras e embarcou por conta da amizade com Elis – que apregoava que o instrumento, bem como o rock, era uma agressão à Música Popular Brasileira.  Na verdade, de acordo com Caetano Veloso, tudo foi uma jogada de marketing para elevar a audiência do “Fino da Bossa” que foi perdendo bastante público após o sucesso meteórico do “Jovem Guarda”. 

Passeata contra a guitarra elétrica

Evidente, após o imbróglio com as guitarras, nossa pimenta aceitou “de boa” a novidade, aderiu ao som elétrico em suas músicas e se tornou um símbolo de qualidade musical. Por seu desempenho versátil, foi considerada a maior cantora do Brasil. É também reconhecida por sua forma de expressão altamente emotiva, tanto na interpretação musical quanto em seus gestos. Elis casou duas vezes. De sua união com Ronaldo Bôscoli nasceu João Marcelo Bôscoli (1970) e do enlace com César Camargo Mariano nasceram Pedro Camargo Mariano (1975) e Maria Rita (1977). Foi a primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento na Ordem dos Músicos.


Elis e Jair Rodrigues: O Fino da Bossa

Apaixonada pelo palco, de personalidade forte, dedicou-se à arte de interpretar. Emociona aos amantes da música até hoje com seus feitos no disco. Quem consegue ouvir, sem manifestar empatia, sua voz nas canções “Como Nossos Pais”, “Arrastão”, “O Bêbado e a Equilibrista” e outros grandes sucessos? A cantora foi notável no cuidado com seus trabalhos fonográficos, e teve, em sua maioria, boa aceitação da crítica especializada.  

Elis Regina ganha o Festival da Música Popular Brasileira, pela TV Excelssior,
 em 1965, com a música “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.

Recentemente, o público ficou encantado com a semelhança da atriz Andreia Horta na interpretação do Furacão da MPB no filme “Elis”. Depois de ser tema de uma peça musical (Elis, o Musical, de 2013) e ter a história de vida contada em dois livros (Elis – Uma Biografia Musical e Elis Regina – Nada Será Como Antes, ambos de 2015), a forte personalidade e o talento inigualável da eterna Pimentinha foram retratados nas telonas. O cineasta Hugo Prata dirigiu a cinebiografia Elis, que teve estreia no segundo semestre de 2016. Os hits originais dublados pela protagonista levaram emoção e euforia a milhares de fãs. Ouvindo os discos da gaúcha, constata-se que ela tinha o fino da bossa, do romantismo e da emoção. A cantora morreu no dia 19 de janeiro, de 1982, em São Paulo, aos 36 anos.

Andreia Horta (atriz), cinebiografia Elis


Elis Regina – “O Bêbado e a Equilibrista”
Composição: Aldir Blanc / João Bosco
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