

Algumas músicas ultrapassam o limite do entretenimento e entram para a história como símbolos de humanidade. We Are the World não foi apenas um sucesso radiofônico, nem apenas uma reunião improvável de estrelas. Foi um momento raro em que a música mostrou seu poder máximo: unir talentos, egos, estilos e gerações em nome de uma causa maior.
Gravada por alguns dos maiores artistas do planeta, em uma madrugada histórica, a canção tornou-se um marco cultural, social e musical. Décadas depois, continua emocionando, sendo pesquisada, revisitada e reverenciada — especialmente por quem viveu a Era do Vinil e entende o peso simbólico daquele encontro.
No início dos anos 1980, o mundo acompanhava com preocupação a grave crise humanitária na África, especialmente na Etiópia, assolada por fome extrema e conflitos internos. Imagens de crianças desnutridas circularam por telejornais e chocaram o planeta.
Inspirado pelo projeto britânico Band Aid, que havia lançado Do They Know It’s Christmas?, o cantor Harry Belafonte teve a ideia de criar uma iniciativa semelhante nos Estados Unidos, reunindo artistas americanos para arrecadar fundos.
A música não seria apenas um gesto simbólico: ela precisava gerar impacto real, financeiro e emocional.
Para compor We Are the World, foram escolhidos dois nomes capazes de dialogar com diferentes gerações e estilos musicais:
Michael Jackson, no auge absoluto de sua carreira
Lionel Richie, compositor experiente e respeitado
A composição nasceu da combinação do talento melódico de Michael com a estrutura lírica acessível de Lionel. A missão era clara:
👉 criar uma canção simples, universal, emocional e memorável, que qualquer pessoa pudesse cantar.
O refrão precisava ser forte o suficiente para ecoar em estádios, rádios, escolas e lares ao redor do mundo.

A gravação aconteceu no A&M Studios, em Los Angeles, logo após a cerimônia do American Music Awards. Foi uma escolha estratégica: todos os artistas já estariam na cidade.
Na porta do estúdio, um aviso simples e direto se tornou lendário:
“Deixe seu ego na porta.”
E funcionou.
A lista impressiona até hoje:
Michael Jackson
Lionel Richie
Stevie Wonder
Paul Simon
Diana Ross
Tina Turner
Ray Charles
Billy Joel
Bob Dylan
Bruce Springsteen
Cyndi Lauper
Kenny Rogers
Smokey Robinson
Dionne Warwick
Huey Lewis
Cada artista cantou uma linha específica, escolhida cuidadosamente para combinar com seu timbre e estilo.

Bob Dylan, visivelmente inseguro, teve dificuldades para gravar sua parte. Quem o ajudou? Stevie Wonder, que o orientou imitando seu próprio estilo vocal — um dos momentos mais comentados da sessão.
Antes da gravação oficial, Michael já havia gravado um guia vocal completo em seu estúdio particular, mostrando exatamente como imaginava a música pronta.
Os colares e pulseiras barulhentas de Cyndi Lauper atrapalhavam os microfones. Foi preciso pedir que ela retirasse os acessórios para evitar ruídos indesejados.

Lançada em vinil, We Are the World tornou-se um fenômeno imediato:
Milhões de cópias vendidas
Execução massiva em rádios do mundo inteiro
Exibida em programas de TV, eventos beneficentes e escolas
Os recursos arrecadados foram destinados a projetos de combate à fome na África e em outras regiões afetadas.
Mas o impacto foi além do dinheiro:
📌 a música consolidou o conceito de artista como agente social.
Criada com o objetivo de arrecadar fundos para o combate à fome na África, “We Are the World” foi gravada na noite de 28 de janeiro de 1985, em Los Angeles, logo após a cerimônia do American Music Awards, reunindo algumas das maiores vozes da música mundial. Lançado oficialmente em 7 de março de 1985, o single tornou-se um fenômeno global imediato.
O projeto USA for Africa arrecadou, ao longo dos anos, mais de US$ 55 milhões (valor que algumas estimativas apontam como ainda maior), integralmente destinados a ações humanitárias no continente africano. Apenas nos Estados Unidos, o compacto vendeu cerca de 7 milhões de cópias, alcançando o 1º lugar na Billboard Hot 100 e consolidando-se como um dos singles mais vendidos da história da música. Em escala mundial, as vendas ultrapassaram 20 milhões de unidades, transformando a canção em um marco definitivo da música pop e do engajamento social na década de 1980.

O single em vinil tornou-se item obrigatório nas coleções dos anos 80. Hoje, exemplares bem conservados são procurados por colecionadores, não apenas pelo valor financeiro, mas pelo significado histórico.
O encarte trazia informações sobre o projeto USA for Africa e reforçava o caráter coletivo da obra — algo raro em um mercado dominado por disputas individuais.
We Are the World mostrou que:
a música pode mobilizar consciências
estrelas podem dividir o palco sem competir
a indústria cultural pode, sim, servir a causas humanitárias
Ela abriu caminho para outros projetos coletivos e redefiniu o papel social dos grandes artistas.
Mesmo décadas depois, a canção segue sendo:
pesquisada no Google
usada em projetos educacionais
lembrada em momentos de crise global
Sua mensagem permanece universal:
somos todos parte do mesmo mundo

We Are the World não é apenas uma gravação histórica. É um lembrete poderoso do que a música pode fazer quando ultrapassa fronteiras, estilos e interesses comerciais.
Na Era do Vinil, poucas faixas carregam tanto peso simbólico, emoção e relevância cultural. Um verdadeiro documento sonoro da humanidade.
Quem escreveu We Are the World?
Michael Jackson e Lionel Richie.
Qual foi o objetivo da música?
Arrecadar fundos para combater a fome, especialmente na África.
Quantos artistas participaram da gravação?
Mais de 40 grandes nomes da música.
We Are the World foi lançada em vinil?
Sim, como single, e hoje é item de coleção.
O projeto arrecadou muito dinheiro?
Sim, milhões de dólares foram destinados a ações humanitárias.






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